Limites, relações e posicionamento
Mulher Esqueleto: o que o conto de Clarissa Pinkola Estés nos faz perguntar sobre intimidade, medo e transformação no amor
Leia se você quer amar profundamente, mas percebe que intimidade também desperta medo, vontade de fugir ou necessidade de controlar.
Por Tais CaldasPublicado em 6 de setembro de 2026Atualizado em 6 de setembro de 20266 min de leitura

Há uma imagem desconcertante em Mulheres que Correm com os Lobos: a Mulher Esqueleto.
O conto reúne medo, fuga, proximidade e transformação.
Em vez de tratá-lo como teoria psicológica, podemos usá-lo como literatura para pensar algo muito humano:
intimidade é bonita, mas também pode assustar.
O início do amor costuma esconder a complexidade
No começo, vemos:
- encanto;
- possibilidade;
- desejo;
- projeção.
Com o tempo, aparecem:
- limitações;
- diferenças;
- feridas;
- hábitos;
- necessidades;
- partes difíceis de nós e do outro.
É quando muitas relações começam de verdade.
O amor real não permanece congelado
Uma fantasia comum é imaginar que uma relação boa deveria conservar para sempre a sensação inicial.
Mas pessoas mudam.
Corpos mudam.
Desejos mudam.
Contextos mudam.
Relacionamentos precisam negociar essas mudanças.
Intimidade é permitir-se ser vista
Quanto mais alguém se aproxima, mais vê:
- inseguranças;
- contradições;
- limites;
- falhas.
Por isso intimidade exige tolerar uma coisa desconfortável:
não controlar totalmente a imagem que o outro terá de você.
Fugir quando algo fica profundo
Algumas pessoas fogem quando:
- a relação exige conversa;
- surge conflito;
- precisam mostrar vulnerabilidade;
- percebem dependência;
- a idealização cai.
Nem toda fuga é medo de intimidade.
Às vezes a relação realmente não faz bem.
Por isso a pergunta não é “por que estou fugindo?”.
É:
“Estou me protegendo de um vínculo inadequado ou evitando a vulnerabilidade necessária para um vínculo possível?”
Vale ler ao lado do artigo sobre dependência emocional.
Vida–morte–vida como metáfora de ciclos
Clarissa utiliza ciclos de vida, morte e vida como imagem recorrente.
Nos relacionamentos, algo também precisa terminar para que outra forma de vínculo exista.
Pode morrer:
- uma expectativa;
- uma fantasia;
- um papel;
- um acordo antigo;
- uma versão de quem cada um era.
Isso não significa necessariamente término.
Pode significar transformação.
Amar sem se abandonar
A intimidade que vale a pena não exige que você desapareça.
Pelo contrário.
Quanto mais verdadeiro o vínculo, mais ele precisa suportar duas pessoas inteiras.
Com desejo, limite, diferença e liberdade — e com a conversa possível entre as duas.
Esta é uma leitura simbólica de um conto literário, não uma teoria clínica, e não substitui avaliação ou cuidado profissional quando necessário.
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