Livros e referências

La Loba: a metáfora dos ossos e o que acontece quando uma mulher começa a recuperar partes esquecidas de si

Leia se você sente que alguma parte sua ficou perdida pelo caminho e quer reconstruir uma vida mais conectada com quem se tornou.

Por Tais CaldasPublicado em 6 de setembro de 2026Atualizado em 6 de setembro de 20266 min de leitura

Ilustração editorial abstrata com ossos claros e formas orgânicas verdes e terracota reunidos em um arco sobre areia, referência à metáfora de La Loba.

Em Mulheres que Correm com os Lobos, Clarissa Pinkola Estés apresenta La Loba: uma velha que vive no deserto, recolhe ossos e, quando completa o esqueleto de um lobo, canta sobre ele até que a vida retorne.

É uma imagem poderosa.

Não porque exista uma fórmula psicológica escondida no mito.

Mas porque literatura e símbolo conseguem fazer uma pergunta que linguagem direta nem sempre alcança:

que partes de você ficaram espalhadas pelo caminho?

Os “ossos” que deixamos para trás

Ao longo da vida, podemos abandonar partes de nós para sobreviver, pertencer ou seguir adiante.

Talvez você tenha deixado:

  • criatividade;
  • sensualidade;
  • coragem;
  • curiosidade;
  • amizades;
  • ambição;
  • descanso;
  • espontaneidade;
  • uma profissão;
  • uma maneira de se vestir;
  • uma opinião;
  • um sonho.

Nem toda perda precisa ser recuperada.

Mas algumas merecem ser revisitadas.

Recolher não é voltar no tempo

Voltar para si não significa virar novamente a mulher de 20 anos.

Você não é mais aquela pessoa.

A proposta pode ser outra:

olhar para o que existiu, reconhecer o que continua vivo e decidir o que merece espaço na mulher de hoje.

É uma conversa próxima da que aparece em Indomável.

Qual osso você encontraria primeiro?

Experimente responder sem pensar demais:

  • Do que eu gostava antes de achar que precisava ser “útil”?
  • Que parte minha as pessoas consideravam “demais”?
  • O que parei de fazer porque alguém não gostava?
  • Quando foi a última vez que fiz algo apenas porque me deixava viva?
  • Que qualidade minha ficou escondida para eu caber numa relação?
  • Que sonho descartei cedo demais?

Essas perguntas não são teste.

São escavação.

Cantar sobre os ossos

No conto, recolher é só parte do processo.

Há também o canto.

Como metáfora, podemos pensar que reconhecer uma parte esquecida não basta.

É preciso voltar a dar vida por meio de ação.

Se sente falta de escrever, escreva dez minutos.

Se sente falta de amizade, mande uma mensagem.

Se sente falta de estudo, escolha uma aula.

Se sente falta de corpo, caminhe.

Pequeno não significa irrelevante.

A mulher que volta não é a mesma

Talvez você não esteja tentando recuperar “quem era”.

Talvez esteja construindo uma mulher que consegue finalmente carregar partes que antes precisou abandonar.

Essa mulher não nasce pronta.

Ela se reúne.

Esta é uma leitura simbólica de uma obra literária, não uma teoria clínica, e não substitui avaliação ou cuidado profissional quando necessário.

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