Vida emocional das mulheres
Depressão não é preguiça: como acolher o sofrimento sem transformar dor em culpa
Leia se você anda muito triste, sem energia ou sem prazer nas coisas — ou quer compreender melhor alguém que está passando por isso.
Por Tais CaldasPublicado em 6 de setembro de 2026Atualizado em 6 de setembro de 20267 min de leitura

Este capítulo do meu livro nasceu também da experiência pessoal. Eu conheço depressão pelos livros e pela formação, mas também conheço a sensação de atravessar períodos em que tarefas simples parecem grandes demais.
Isso mudou profundamente a maneira como penso uma frase comum: “É só reagir.”
Para quem está deprimida, muitas vezes justamente a capacidade de reagir está comprometida.
Depressão não é tristeza comum
A Organização Mundial da Saúde descreve depressão como transtorno mental caracterizado por humor deprimido ou perda de interesse e prazer por períodos prolongados. Ela é diferente das variações normais de humor e pode afetar relações, trabalho, autocuidado, sono, apetite, concentração, energia e capacidade de sentir prazer.
Em 2025, a OMS estimava que 5,7% dos adultos viviam com depressão, com prevalência maior entre mulheres.
Frases bem-intencionadas que podem machucar
Evite frases como “Pensa positivo”, “Você tem tudo, não tem motivo para estar assim”, “Você precisa ser forte”, “Isso é falta de fé”, “Todo mundo fica deprimido às vezes” ou “É só sair de casa e se distrair”.
Essas falas podem aumentar vergonha e culpa.
Você não precisa ter uma frase perfeita. Às vezes ajuda mais dizer: “Eu não sei exatamente como é para você, mas estou aqui.”
Alguns sinais que merecem atenção
A depressão pode envolver tristeza ou vazio persistentes, perda de interesse ou prazer, alterações importantes de sono, mudanças no apetite, fadiga, dificuldade de concentração, sentimentos intensos de culpa ou inutilidade, agitação ou lentificação, desesperança e pensamentos de morte ou suicídio.
A presença de um sintoma isolado não permite diagnóstico. Avaliação profissional considera duração, intensidade, impacto funcional, contexto e outras condições que podem produzir sintomas semelhantes.
Autoestima e depressão podem se alimentar
No livro, eu descrevo baixa autoestima e depressão como possível círculo vicioso. Quando uma pessoa está deprimida, é comum que sua visão sobre si fique mais negativa. Ao mesmo tempo, viver por longos períodos sob autocrítica intensa, humilhação, relações abusivas ou desvalorização pode contribuir para sofrimento emocional.
A solução não é dizer “melhore sua autoestima e a depressão passa”. Isso seria simplificar um transtorno complexo. O ponto é outro: a forma como você se trata durante o sofrimento importa.
Mulheres e depressão
A OMS informa que mulheres são mais afetadas por depressão do que homens. Essa diferença não deve ser atribuída a uma única causa. Fatores biológicos, psicológicos e sociais se combinam, incluindo exposição a violência, desigualdades, condições de trabalho, sobrecarga de cuidado, gravidez e pós-parto, entre outros.
Tratamento não é sinal de fraqueza
Depressão tem tratamento. O tipo de cuidado depende da gravidade e da situação de cada pessoa e pode envolver intervenções psicológicas e, em alguns casos, medicamentos prescritos por profissionais habilitados.
Não use textos de internet para iniciar, suspender ou modificar medicação.
Quando existe risco
Se houver pensamento de suicídio, plano, tentativa, risco imediato ou sofrimento intenso, procure ajuda urgente. No Brasil, o SAMU 192 atende urgências inclusive psiquiátricas, e o CVV 188 oferece apoio emocional gratuito 24 horas.
Este é um conteúdo educativo e não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento profissional.
Referências consultadas
Leia também
- Autoestima e relação consigoAutoestima feminina: como fortalecer o valor que você reconhece em si
- Autoconhecimento e identidadeComo se colocar em primeiro lugar sem culpa: autocuidado para mulheres que vivem cuidando de todos
- Vida emocional das mulheresAnsiedade: quando pensar no futuro ajuda — e quando começa a paralisar